CHEF

– Pai, como se descongela isso?

“Isso” era um simpático pedaço de barriga de porco (sorry, vegetarianos) que Lucas resolveu transformar em torresmo. O relógio denunciava a madrugada, mas era sexta-feira, aliás sábado, quem nunca?

Até então essas incursões na cozinha contavam com minha supervisão, normalmente era eu quem encarava o óleo quente quando rolava batata frita, mas desta vez o carinha resolveu ser o chef de fato e de Direito. “Pode deixar que eu faço”. Ok!

Só dei uma dica de como distribuir o tempero e vazei, imaginando como o fogão amanheceria e, principalmente, como dona Eliana iria receber aquela dádiva pela manhã. Geralmente ele limpa tudo, mas limpar direito não é bem a especialidade. Da sala de TV, onde eu assistia a sei lá o que, dava para ouvir o som de fritura misturado ao do exaustor. Já era uma da manhã e o elemento cismou que podia cantar enquanto sua obra-prima não ficava pronta.

De repente, eis que ele adentra à sala trazendo uma bandeja cheia de colesterol em sua forma mais linda e apaixonante, me oferece a metade e eu só me permito dois ou três pedaços. Crocantes e deliciosos, diga-se.

No que amanhece a esperada e justa bronca pelo fogão emporcalhado se fez sentir. Mas a alma não é pequena, Eliana não só sabe disso como concorda com o Pessoa e, como sempre, nos brindou com o tradicional e generoso olhar “tamujunto” que costuma acompanhar nossas incursões em terrenos pouco frequentados.

O moleque, aliás, parece querer incluir o manejo do fogão no seu rol de talentos, se considerarmos o lagarto assado que ele cometeu recentemente.

Já que o assunto é cozinha e somos muito valentes frente à ameaça do colesterol, lembrei-me que faz um tempão que não produzo um bom hamburger. Amanhã é sexta de novo. Vai que… né?

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