Chronos

Olho para trás e meus padrões de retrospecto meio que me traem porque, a princípio, não me parecem assim tão longínquos os dias em que Lucas e eu saíamos serelepes em direção ao shopping para comprar Hot Wheels. A realidade, porém, me mostra que o tempo passou rápido, eu é que não notei.

Não só o carinha já está em plena adolescência, dois centímetros mais alto do que eu, como também seu progresso escolar me levou recentemente a pesquisar colégios de ensino médio para matriculá-lo, caminho natural para 2018.

Ele tinha algumas indicações de colegas, nós adultos trocamos ideias com outros pais, até que recebemos a informação de que o colégio atual oferecerá ensino médio a partir do ano que vem. Mesmo assim, continuamos pesquisando, mas não estávamos gostando muito do que era observado.

Lucas estuda no Colégio Marista, de orientação católica. Mesmo enquadrado na categoria ‘confessional’, as diretrizes estabelecidas sempre se pautaram pelo sincretismo. Mesmo na disciplina Ensino Religioso, nunca observei ‘puxadas de sardinha’ para o lado do catolicismo e seus dogmas, mas abordagens bem abrangentes sobre as diversas religiões, suas características e fundamentos históricos. Acho legal, porque respeitoso.

Um aspecto que me incomodou nas pesquisas feitas em outros colégios é o ensino direcionado a ENEM e vestibulares. Quando matriculei o Lucas no Jardim I, nos idos de 2006, minha expectativa era de sua formação como cidadão. Essa expectativa persiste. Claro que a maior parte desse tipo de ensinamento provém de casa, mas jamais o manteria num local que simplesmente fomentasse a competição predatória, o decoreba, a utilização de macetes e outros artifícios para ter a foto divulgada em outdoors de interesse exclusivo desses colégios.

Anteontem Lucas passou a tarde na casa de um colega, assim como já recebemos seus colegas aqui em casa. Eles são amigos, colegas, camaradas, não são os adversários e inimigos a serem batidos que os donos desses colégios idiotas querem produzir. Que continuem assim para que, além de bem-sucedidos na vida (acho inevitável), também sejam pessoas sempre felizes e bem resolvidas.

Vez por outra alguém me envia vídeos mostrando os meninos japoneses lavando os banheiros da escola e a rotina dos alunos coreanos, que sequer têm tempo para a convivência familiar. E abordam isso em tom de elogio. Não deve ser por acaso que ninguém se lembra de incluir a parte que trata do índice de suicídios entre eles.

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