MORRO DE MEDO DE FICAR ASSIM

Não dá pra enxergar nada de positivo no Roger e no Frota, e a culpa é deles, mas arrisco dizer que gosto de algumas coisas do Lobão no campo musical. “Essa noite não”, “Por tudo o que for” e “Me Chama” são alguns exemplos do que considero momentos felizes na arte da composição. Quanto ao animal político Lobão, acho que é apenas um animal.

Gosto desse equilíbrio que me permite ouvir o que Lobão canta e dispensar o que ele fala. Não preciso ser nazista para gostar de Wagner nem judeu para curtir Mendelssohn, isso me parece simples e definitivo, apesar de não me livrar o lombo de eventuais chibatadas.

Já há uma boa temporada noto que meu pensamento não é muito compartilhado, pelo menos no âmbito do meu rol de relacionamentos. A inteligência, a criatividade, a inventividade e a competência das pessoas frequentemente são desprezadas em razão de divergências ideológicas ou filosóficas. Não acho brilhante mas respeitaria totalmente essa maneira de ver o mundo, não fosse a compulsão que as pessoas têm de expor publicamente seu ódio cego. Em alguns casos acabam gerando a tal vergonha alheia.

Hoje, por exemplo, o grande Professor Pasquale Cipro Neto resolveu deixar um pouquinho de lado os estudos e ensinamentos da gramática para escrever e publicar na Folha de São Paulo uma crônica-depoimento, acerca de suas impressões críticas e da alma após assistir ao show de Caetano e Gil. Pelo visto saiu de lá embevecido, e cravou: “há algum tempo, Caetano disse que o Brasil ainda não tinha feito por merecer a bossa nova. E ainda não fez. Assim como ainda não fez por merecer a grandiosidade de Caetano Veloso e Gilberto Gil”.

Na seção de comentários, a pérola: “Talento mediano engajamento politico comunista alto.” Assim, sem vírgula nem acentos.

O título deste texto é meio falso, na verdade não tenho medo de ficar assim. Tenho é muito medo de gente assim.

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