MOSAICO

Normalmente eu evito mostrar a maneira com que vejo as coisas, já que também normalmente minha maneira de ver as coisas bate de frente com o senso comum e, sabe como é, o diferente gera reação e nem sempre – ou quase nunca – tenho saco pra ficar discutindo. Não pretendo ganhar discussão alguma, porque não vejo discussão como disputa. Se não penso como a maioria, ajo conforme acho que devo e o botão do foda-se tá bem ali.

Mas, enfim, como nosso Brasil varonil é um dos maiores produtores de pérolas do planeta, vira e mexe aparecem coisas mais ridículas que bonequinho de papai noel pendurado em sacada. Aí eu me vejo credenciado a sair do casulo e deitar opinião. Às vezes nem dou opinião alguma, só alimento o fogo da bagaça. 

Sorry, cambada, a culpa é deles.

Essa onda de Star Wars, O Despertar da Força, por exemplo – sem entrar no mérito da qualidade do filme que ainda não vi, mas até que pretendo -, já chegou lotada de cenas prosaicas de babaquice explícita, que inclui gente fantasiada daqueles bichos esquisitos do filme (e desfilando na rua, pode?) e uma pesquisa publicada no UOL do tipo “Que líder você é na empresa: Darth Vader, Luke, Leia ou Yoda? Faça o teste”. Imagino que ter um ‘líder’ assim na empresa é caso pra suicídio, mas vá lá, numa prova de que Deus existe eu já estou aposentado. Mas é pra levar isso a sério?

Eu me divirto um bocado com esses palermas e suas impagáveis palermices, o que afasta de pronto qualquer insinuação de que não tenho senso de humor.

As opiniões daquela classe emergente na sociedade brasileira, denominada haters (nome em inglês, viu que chique?), também são um prato cheio pra quem tá a fim de diversão gratuita. Esta semana uma das empresas responsáveis pelo transporte público de Goiânia se esqueceu de pagar as prestações do financiamento de sua frota e o banco, numa demonstração intolerável de intolerância, cobrou e a justiça determinou que metade dos ônibus fosse recolhida até o pagamento.

Que sifu o populacho que paga impostos e passagem e não tem nada a ver com o calote alheio, mas o episódio gerou duas situações dignas do Febeapá: primeiro um órgão de imprensa publicou em letras garrafais que, devido ao não pagamento de parcelas do financiamento, foi movida ação TRABALHISTA (ho-ho-ho) e determinado o recolhimento dos ônibus. Em seguida eles, os imprescindíveis e infalíveis haters (que, em maioria, acreditam que ler somente a manchete é mais do que suficiente para emitir suas opiniões abalizadas), entraram em cena e deixaram sua marca na seção de comentários: “ou o Brasil acaba com a CLT, ou a CLT acaba com o Brasil”, “esses grevistas (???) petralhas têm mesmo é que levar borracha no lombo”. O assunto ‘direitos trabalhistas’ costuma tirar do sério as pessoas de bem.

Nenhuma linha sobre o real motivo do sequestro dos bens e, claro, nenhuma palavra sobre a felicidade da população que viu subitamente ampliado de 40 para 200 minutos o tempo médio de espera no ponto.

Esta semana alguém de São Paulo resolveu decretar a proibição de garupa em motocicletas. A justificativa é linda: têm ocorrido muitos assaltos praticados por duplas sobre duas rodas. Na hora achei graça, mas depois bateu cisma: vai que esses iluminados resolvem trancar as portas de saída dos bancos para combater os assaltos conhecidos como ‘saidinhas de banco’? Vai ficar esquisito só poder entrar no banco e lá permanecer ad aeternum, mas quem somos nós que não estudamos nada sobre segurança pública para opinar? Talvez proíbam também a fabricação de veículos com porta-malas, para exterminar de vez os sequestros-relâmpago. Ou parem de construir museus para evitar incêndios.

A cereja está sendo essa cruzada santa contra o Chico Buarque. De repente uma legião de Wesley-Safadetes com camisa da CBF decidiu que o cara deveria pedir esmolas na sarjeta mais próxima, já que é comunista. Comunista, como se sabe, é uma variação de frade franciscano, que faz voto de pobreza/miséria e só se veste com saco de aniagem. Ninguém parou para pensar que talvez o Chico tenha um apartamento em Paris porque fatura um trocado até mais ou menos a título de direitos autorais.

Claro que é mais fácil e bovinamente correto dizer que ele passeia pela Champs Elysées à custa dos nossos impostos, via Lei Rouanet.

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Uma resposta a MOSAICO

  1. Cristiano disse:

    Lamentável e generalizado o descaso….
    A pouco foi descoberto a canalhice que envolvia planos de saúde daqui do DF faziam- ou fazem- com a participção de equipes responsáveis pelas ambulâncias dos hospitais público…os felas averiguavam se a vítima de acidente ou doença possuía plano de saúde, foi provado que induziam até mesmo ao coma pessoas que ” nada”tinham…davam entrada nas” TIs da vida” eo jornal só noticia as más condições dos hospitais públicos daqui, seria para direcionr algo? E o hospital de Base e o Sara, que apesar dos pesares, e ques pesares, são referências…
    Minha mãe por “sorte” tem plano de saúde, essa semana ela passando mal , quis leva la ao hospital (particular) e ela não quis ir, ” eu não, do jeito que to…não guento esperar 3 horas pro médico nem me olhá”.
    Putz, e a máfia que envolve a indústria farmacêutica….e….e….e….

    Uai!?!?!?!?!?!

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