SINISTRO…

Sei que não é de bom tom, por isso não vou lembrar aos israelenses que – de acordo com entrevista concedida por um professor da UFRJ à Globonews – foi sua ala ultradireita (aquela que ainda hoje está no poder) e o não menos glorioso Mossad quem, há vinte anos, praticamente criou o Hamas. Originalmente sua criação tinha o objetivo de sacanear o Arafat e sua OLP, mas aos poucos a criatura foi ganhando alma, virou partido político, elegeu um monte de gente principalmente na Cisjordânia e, no melhor estilo Jérôme Valcke, deu um chute no traseiro dos criadores.

De certa forma foi bom negócio para Israel, porque enquanto estiver combatendo os malucos do Hamas, não precisará colocar em pauta as reivindicações dos palestinos de Gaza, que incluem a retirada de colonos que foram assentados após a expulsão de milhares de palestinos de suas terras, além da retirada das tropas de Gaza y otras cositas más. Mas acho que não deveria estar falando isso, porque o povo de Israel é muito melindroso, é perigoso se sentir ofendido até se eu disser que são judeus.

O governo brasileiro se atreveu a dar pitaco e deu no que deu: aquele porta-voz, que mistura no mesmo discurso bomba com futebol e é a cara do pai do Kick Buttowski, soltou os cachorros lutadores de Krav Magá, nos chamou de anões inexpressivos e ganhou o importantíssimo apoio da galera da Veja, cuja capa desta semana está um primor:

Capa da Veja desta semana. A revista é da opinião de que o Brasil não tem que se meter com o genocídio promovido pelos judeus.

Capa da Veja desta semana. A revista é da opinião de que o Brasil não tem que se meter com o genocídio promovido pelos judeus.

Na figura, imagem de Harold, dublê de pai do Kick Buttowski e porta-voz bobinho de Israel.

Na figura, imagem de Harold, dublê de pai do Kick Buttowski e porta-voz bobinho de Israel.

Tem uma coisa que me intriga: se Israel detém tecnologia de última geração, a ponto de dispor de um sistema que se encarrega de detonar as bombinhas arremessadas pelos babaquaras do Hamas, além de outras situações em que restou comprovado o formidável desenvolvimento científico-tecnológico do país, não seria mais fácil, barato e com milhares de corpos a menos se resolvesse simplesmente detonar o real inimigo, que é o próprio Hamas? Poderia ser uma ação por terra mesmo, com o efetivo e as armas que tem, e em questão de – poucos – dias, o Hamas seria reduzido a um triste capítulo da história da humanidade. Sobraria, então, tempo para limpar outro triste capítulo da história, mas aí seria necessário que Israel reconhecesse a qualidade humana dos palestinos, sua necessidade de autonomia e de ter uma pátria para chamar de sua, não esquecendo que, pelas convenções internacionais, seu território é inviolável.

Algo me diz, porém, que o buraco é mais embaixo. Tal e qual menino birrento e mimado, Israel se vale do regimento da ONU que só permite determinadas resoluções após votação unânime, sabendo do voto sempre amigo do não menos pernicioso governo americano.

Ninguém questiona o direito à própria defesa. Mas quando se produzem 1300 corpos, a maioria de crianças, mulheres e idosos, os chamados civis, além de milhares de feridos e mutilados de um lado e 55 mortos, sendo 52 militares do outro, peço vênia para imaginar que talvez a coisa esteja meio desigual, tipo 7×1 como disse o idiotinha. Se existisse ONU, alguém de lá chamaria isso de genocídio, crime de guerra, limpeza étnica.

Assim, Israel se sente livre para testar novas armas, inclusive as proibidas como as bombas de fósforo. Como se sabe, do ponto de vista da lucratividade a indústria de armamentos dá o maior pé. Em se tratando de um povo belicoso que domina os bancos e a mídia no mundo, quem haverá de se indispor impunemente?

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