ZAP

Vira e mexe rola um entrevero entre órgãos policiais ou do judiciário com operadores de telefonia e internet. Não é só aqui. Há pouco tempo o FBI se envolveu numa briga dos infernos com a Apple, porque viu negado seu pedido de desbloquear o aparelho celular de um conhecido terrorista. A justificativa foi a defesa da privacidade individual.

Semana passada, pela segunda vez, o acesso ao aplicativo whatsapp foi bloqueado em todo o Brasil por determinação de um juiz de Sergipe, porque os responsáveis pela empresa gestora não forneceram informações que poderiam levar ao desbaratamento de uma quadrilha de traficantes. A empresa sustenta que não dispõe desse tipo de informação, porque as conversas não são gravadas em lugar nenhum.

Hoje li aqui e ali que algumas autoridades do judiciário teriam ordenado o bloqueio de determinado perfil no Facebook, sob pena de bloquear todo o Facebook. Desta feita a resistência se baseia na não tipificação de crime por nenhuma autoridade judicial, além de o pedido ter partido de um grupo de vereadores que estariam se sentindo desconfortáveis com críticas recebidas.

Sobre essa história de Facebook, vereadores e seus críticos, eles que se entendam. O Facebook, ao contrário do Whatsapp, deixa rastros facilmente identificáveis a qualquer tempo, mesmo se as postagens forem apagadas. Então, o judiciário se mete se for provocado naquilo que lhe cabe, desfaz os nós entre supostos agressores e agredidos e não tem que aporrinhar a galera responsável pela rede social. É um caso doméstico, briguinha de comadres.

Mas essa crítica relativa ao bloqueio do zatzat, em se confirmando a alegação dos próprios proprietários do aplicativo de que não fica vestígio algum, me parece apressada e perigosa. Simplesmente porque o tal aplicativo neste aspecto demonstra ser perigoso, e muito.

O mundo já anda de tal maneira conturbado, que dar sopa para o azar evidencia sinais de gula no quesito problemas. Imagino um sequestro consumado, que tenha sido todo tramado pelo aplicativo e depois apagadas todas as conversas. Imagino também os ataques de pedófilos que agem na sombra.

Sob esse prisma o whatsapp me parece um ótimo esconderijo para o malfeito, uma promessa de salvo-conduto para bandidos de todos os tipos, inclusive os engravatados da espécie capez capuz capaz de roubar merenda ou jogar bombas e balas em boates.

Posso estar assumindo uma posição incômoda de causídico do capiroto, mas acho que tem que aparecer um machão mais peitudo do que os outros para chamar o molequinho Zuckerberg num canto, num clássico estilo Yustrich, e falar na lata: ou bota backup nessa bagaça ou vaza.

Sei que minha meia dúzia de três ou quatro leitores não vão me esculachar porque me amam, e espero que reflitam sobre esse barril de pólvora divertido que também me pegou, já que tenho conta e participo de vários grupos. Mas que é perigoso, é.

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3 respostas a ZAP

  1. Lina Noronha disse:

    Confesso que não tenho opinião formada sobre o assunto. Me preocupa a censura da internet nesse momento. Vou pensar a respeito. Valeu.

    • Rogério Veloso disse:

      Essa questão da censura também me arrepia, e é bem tênue. Acho que, na prática, não tenho opinião fechada e formada também, mas cismei com o assunto a partir de um caso recente, em que uma aprendiz de Richthofen resolveu simular um assalto em casa para roubar os próprios pais. Tudo foi descoberto porque a burrinha esqueceu de apagar as mensagens trocadas com o namorado e mais dois ou três, e a casa caiu. Há outros casos, até de pedofilia, que tiveram desfecho semelhante. Então, pensei: pô, por ser tecnicamente hermético esse aplicativo é um convite aos mal-intencionados.

  2. Cristiano disse:

    E num é que é!!!
    Por um lado a exposição geral e em muitas vezes direcionada, por outro a segurança….
    Também não havia pensado sobre, na verdade achava que tinha q ser assim-para garantir a privacidade -, mas pensando um cadim agora, concordo com sua preocupação. Putz, o trem é perfeito para acobertar tramóias políticas, tramas do narcotráfico, terroristas, quadrilhas e todo tipo de trem do mau/mal…
    E entre uma e outra, concordo cocê na uma!

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