No final de 2005 houve uma espécie de congresso num resort de luxo em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, onde a nata da Justiça do Trabalho se reuniu para discutir suas questões. Normal, não fosse o fato de o grande patrocinador do evento ter sido a Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, braço sindical dos banqueiros.
Entre o ser e o parecer, me bateu certa dúvida quanto à conveniência de se aceitar esse tipo de patrocínio, posto que os bancos sempre foram os maiores, mais frequentes e volumosos clientes daquela instituição judiciária. Bateu aquele gostinho de pode isso, Arnaldo?
Quando, ainda meninote, ingressei no serviço público, recebi muitos e valiosos ensinamentos sobre como me portar frente ao público que atendia diariamente, principalmente grandes empresas, tendo como objetivo não dar margem a comentários negativos acerca do meu comportamento. Nunca tive nenhuma tendência ao malfeito, mas aprendi que uma insinuação, por mínima que fosse, faria estrago. Pareceu que os magistrados estavam muito tranquilos nesse quesito, tendo aproveitado para levar a família para participar da festa.
Nos dias atuais vêm sendo publicadas notícias as mais diversas versando sobre relações consideradas perigosas entre magistrados e malfeitores engravatados de diversas estirpes, eventos internacionais onde sentam na mesma mesa Jean Valjean e o inspetor Javert com as caras devidamente lavadas, literalmente se lixando para a opinião pública, tudo com um monte de vozes de alta patente defendendo essa normalidade e reclamando de implicância.
Nunca fiz coro para a atual onda de críticas à nossa justiça, STF à frente, sei de onde vêm as maledicências e, principalmente, conheço as reais intenções. Mas a coisa está de tal maneira escancarada, penduricalhos indecentes daqui, venda de sentenças dali, passando por acusações de abuso moral e sexual, que fico na difícil posição de advogado de vários diabos, quando na verdade quero mesmo é defender a instituição.
O problema é que tem uma galerinha aí que está arregaçando com a imagem institucional da Justiça, sempre prevalecendo o espírito corporativista que transforma eventuais punições em exceções, não em aplicação da regra.
Ajuda aí, tio!

