Houve um tempo em que eu considerava a cobrança de pedágio nas estradas uma verdadeira aberração. Ora, se até no preço do chiclete estava embutido um imposto, sem contar os explícitos como o IPVA, por que haveríamos nós, povo, de pagar esse extra para o governo e seus amiguinhos?
Até cheguei a cometer minhas imprudências e barbeiragens em solos estrangeiros por aí, além de ter viajado como passageiro por rodovia em outros países. Foram oportunidades para observar que não há exceção nesses países quanto ao pedágio, e não é barato. Decidi que deveria sossegar o facho ante tais exemplos primeiro-mundistas, deixando de ser apenas um chato subdesenvolvido.
A BR-153, mais especificamente no trecho de cerca de 170 km entre Goiânia e Goiatuba, passou a ser uma espécie de reduto para a galera aqui de casa, a partir do ingresso de meu filho na faculdade. Ou íamos até lá visitá-lo ou, quando não rolava carona, íamos buscá-lo para um fim-de semana. Divertido no geral, apesar de alguns trechos cravejados de buracos e asfalto ruim. Mas o pedágio estava lá, em dois pontos nesse curto percurso.
Foi quando notei que deveria direcionar melhor a minha má vontade: a questão não é o pedágio em si, mas quando pedágio e buraqueira jogam no mesmo time.
A partir de janeiro deste ano o percurso sofreu uma esticada, quando o moleque teve que complementar a fase final do curso em Araguari-MG, passando a distar 390 km de casa. Pela mesma rodovia.
Voltando de lá em fevereiro, fui engolido por uma cratera lunar de responsa. Na hora não senti nada de mais preocupante, consegui chegar em casa de boa. Porém, ao sair para o supermercado no dia seguinte observei um papo bem pronunciado no pneu dianteiro esquerdo. Vi que era caso de substituição e procurei uma loja, onde foi constatado que precisaria trocar os dois dianteiros. Saí de lá R$1,3 mil mais pobre.
Não sei se é coincidência, gozação ou mera feladaputice, o fato é que os trechos mais excomungados da estrada estão nas imediações dos postos de pedágio. Desde então adotei o Waze como fiel companheiro que, além de indicar o caminho, ainda me avisa sobre potenciais fontes de dor de cabeça. Chega a impressionar a frequência com que o app me avisa sobre BURACO À FRENTE. Eu diria até que é uma meia verdade, porque os buracos vêm sempre de turma, não sendo exatamente justo o Waze colocar no singular.
Como bem demonstram as duplas sertanejas, uma desgraça nunca vem só: o valor do pedágio sobe a partir de 26/03/2026, segundo comunicado da Agência Nacional de Transportes Terrestres. Algo próximo de 100% de reajuste para várias rodovias de Goiás e Minas Gerais, claro que o trecho entre Goiânia e Araguari está devidamente contemplado.
Eu me ufano de quem me afana.

