ODE AO ÓCIO ALHEIO

Pode não ser – ainda – o país da piada pronta, mas o Brasil demonstra grande vocação para ser o país da tragédia iminente. Sempre aparece alguém disposto a botar um bode na sala, e isso provoca, a nós outros simples mortais, verdadeiro pavor de reclamar do que quer que seja. Simplesmente porque ainda pode piorar.

Sempre nos incomodou a vagabundagem remunerada dos nossos valiosos congressistas. Com boa dose de razão, achávamos que não era justo que eles ganhassem aquilo tudo para chegar em Brasília na terça e voltar pra casa na quarta. Por ser Brasil, porém, sempre vem aquela sensaçãozinha sacana do tipo ‘eu era feliz e não sabia’ que faz com que nos sintamos o próprio Iscariotes, mesmo quando temos a certeza de reclamar com justeza e conhecimento de causa.

Provavelmente para mostrar quem é que manda, em 17 dezembro de 2014 nossos amados congressistas, numa demonstração de idolatria ao trabalho ainda estavam em plenário. Às vésperas do Natal, vê se pode, nem na Noruega isso acontece. Já que estavam lá, aproveitaram e votaram favoravelmente ao aumento do próprio salário. Segundo consta, “as votações foram rápidas, com aprovação simbólica dos deputados e nenhum pedido de verificação de quórum”. Ah, tá.

Semana passada tivemos mais uma boa amostra do perigo de mexer com quem está literalmente quieto. Eis que, de repente, bateu cafubira no tal de Cunha e ele resolveu que o Brasil tinha pressa, que havia urgência urgentíssima de votar um projeto de lei de 2004. É, aquele que terceiriza até a casa da mãe Joana. O engraçado nisso é que o relator da urgência é um deputado baiano, mas o projeto em si não tem a menor graça. 

Na forma que foi apresentado e aprovado, o projeto de terceirização representa risco imediato para o País e os trabalhadores. Só é considerado legalzão pela galera que não se lixa para a segurança (80% dos acidentes de trabalho fatais são de terceirizados, dados do IBGE), e não é muito fã de impostos e encargos sociais. Deve ser por isso que os paneleiros da Paulista não se manifestaram.

Como disse aquele gênio da raça do ENEM, temos que deixar de ser egoístas e começar a pensar mais em nós mesmos. Assim, sugiro à galera que pare de cobrar trabalho e produtividade de nossos congressistas. Deixa quieto, é melhor.

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