É CILADA, BINO!

Uma das minhas boas fontes de diversão atualmente são as redes sociais. Minha preferida é o Facebook, que me permite apreciar sem moderação as peripécias de birutas e patetas os mais diversos e as publicações de suas incursões pelas ruas das cidades, geralmente a bordo de seu uniforme em tom amarelo-fralda modelo 7×1 e portando cartazes pedindo a volta do AI-5. Pena que o último primeiro de maio tenha sido assim tão estranhamente tímido, os micos dessa gente já deu mais ibope num passado bem recente e saudoso.

Claro que o Facebook não se esgota nessas esquisitices, tem até coisa útil lá dentro. Eu participo de um grupo ecológico, outro que se ocupa de dicas de códigos de programação, um de assuntos sobre o fundo de pensão que bravamente me paga a aposentadoria, tem também aquele outro de troca de partituras. No meio disso tudo também tem as publicações dos amigos, alguns interessantes outros nem tanto, outros nem tão amigos, alguns nem sei direito quem são, y así la nave va.

Dia desses deparei com uma oferta que joga no time das imperdíveis. Sim, o Facebook também tem as publicações pagas, bancadas geralmente por grandes corporações do varejo que cismaram de enfiar o pé no chamado e-commerce.

O anúncio oferecia um aparelho celular de última geração por preços entre R$699,00 e R$799,00. A tentação de clicar no botão COMPRAR AGORA foi mastodôntica, mas a quenga idosa que habita em mim sugeriu cautela. Então, achei por bem observar os detalhes, e acabei concordando com Teco (Tico estava dormindo) que era bem esquisito o fato de as Lojas Americanas possuírem uma conta do gmail para seu correio eletrônico, além de seu endereço lógico misteriosamente não mostrar o já tradicional “americanas.com.br”, mas algo com um monte de consoantes e um final que não me lembro se .ru ou .ro, denotando base em servidores no exterior. No caso, Rússia ou Romênia.

Mas os anúncios eram bem bonitinhos:

Repararam que para essas ofertas só se aceitavam pagamentos via pix ou boleto? Uma vez aberto o ‘site da americanas’, qualquer que fosse o CEP digitado a resposta era “entrega grátis em 04 dias”. Já o campo de pesquisa (digitei sofá, bicicleta, ogiva nuclear, camisinha sabor miojo) no alto da página não respondia, vez que o layout era apenas uma cópia gráfica do original, sem função operacional além do botão de compra e o campo para CEP com resposta padrão.

Em resumo: tentativa de golpe. O mesmo Facebook que se mostra tão cioso quando mostramos bunda de indio na aldeia permite a ação de bandidos assim, na boa. Ah, Markinho, francamente!

Resolvi alertar por e-mail a Americanas.com, via Ouvidoria, sobre o uso de sua marca para evidentes práticas criminosas, ocasião em que anexei as cópias da página falsa que capturei. Alguns dias depois recebi um retorno das Lojas Americanas, me informando que aquele anúncio não era deles e me dando algumas ‘dicas’ sobre formas seguras de navegação na rede.

Dããããã. 

Resolvi insistir no assunto, esclarecendo que o fato de que o anúncio não era efetivamente deles constituía o motivo do meu contato inicial. O que eu esperava era que uma empresa minimamente decente e comprometida com seu bom nome e a segurança de sua vasta clientela tomasse alguma atitude. Não tomou, limitando-se a me enviar uma resposta que pulula entre a gozação e a malemolência. E a irresponsabilidade, claro.

Então, ficamos assim, Lojas Americanas: assim que der merda – e vai dar merda – eu me oferecerei como testemunha de acusação, aproveitarei o momento para anexar as provas de que vocês foram devida e tempestivamente alertados sobre o andamento do crime pelo qual responderão solidariamente (ao menos na esfera civil), e que geraram prejuízos a um caminhão de gente de boa fé, que acreditou naquela ‘promoção’ que vocês contaram que era falsa somente pra mim.

A propósito, hoje observei outro anúncio da espécie. Parece que estão diversificando o portfólio.

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