OS TAPADOS

Reconheço que não tenho paciência com gente burra, mas quero esclarecer que essa broxada espiritual é dirigida com exclusividade aos burros por opção ou modismo. Os demais, se o QI não é lá essas coisas por obra e graça da natureza, jogam no meu time e nesse quesito não temos culpa de nada.

Acho que estão na rabeira dessa estirpe os burros remunerados. Chega a ser engraçado isso, mas eles de fato existem e habitam os fóruns de reportagens sobre veículos e, em especial, os de discussão sobre economia e política. Admito que às vezes até me divirto.

Dia desses o UOL publicou reportagem sobre o recém-descoberto mercado de veículos seminovos. Dizia a matéria que, com o valor de um veículo zero km sem opcionais além de travas, vidros elétricos e direção hidráulica, era possível comprar um de padrão superior e completo, com um ou dois anos de uso. Por coincidência eu fiz isso e não me arrependo. A explicação para esse fenômeno é a depreciação muito grande e imediata do bem, assim que bota os pneus na rua. No caso dos zero km para o povão quinem qui eu, entenda-se por completo vidros elétricos somente dianteiros, regulagem de altura e profundidade do volante nem pensar, ABS e airbag só a partir deste ano por força de lei e mais um ‘quase’ aqui, outro ali.

Aí entra a galera do contra. Teve um que jurou só ter trocado um Gol por outro nos últimos seis anos, e que achava normal o preço cobrado pela concessionária. Provavelmente trabalha na concessionária ou é o próprio dono dela, não se descartando a hipótese de se tratar de um engravatado de São Bernardo do Campo travestido de cliente satisfeito. Peguei o Gol para Cristo só como referência, já que os outros são exatamente iguais.

No campo do jornalismo político a coisa não é muito diferente, cabendo ressaltar que são poucos os jornalistas, articulistas e editores comprometidos com a decência. Então, essa massa podre e aparentemente majoritária joga o jornalismo no lixo, trocando-o por uma carreira meio sem pé nem cabeça de ghost writer que mostra a cara. Aí surgem os Reinaldos, Constantinos, Fiuzas e Mainardis da vida, com seu canto monocórdico e absolutamente parcial.

Quando acho justo eu desço o cacete na Dilma. Considero a maioria de seus ministros medíocres e que esse negócio de fazer acordos e negociar apoios é um veneno poderoso. Ocorre que os senhores ensaboados acima citados, caolhos por vocação, não só se recusam a enxergar o que há de positivo no governo como santificam a oposição mesmo quando seus integrantes roubam milhões.

Mas eles têm um mérito: não temem o ridículo. Semana passada meu filho Lucas participou dos jogos anuais promovidos pelo colégio, e eu saí para assistir a uma partida de futsal. A caminho do colégio resolvi ligar o rádio e me dei ao luxo de ouvir um pouco a CBN. De repente o locutor coloca em linha direta o Marcelo Madureira (aquele que acreditou quando alguém disse que ele era humorista) para dizer que achou exageradas as sanções contra o Hannibal Suárez, que a Fifa estava jogando para a torcida, blá-blá-blá. Aí danou a viajar lá longe e disse que eram dois pesos e duas medidas, porque o STF aproveitou a saída do Barbosão pra deixar o Dirceu trabalhar, então o que é que tem o Suárez morder o ombro alheio? Confesso que fiquei mais abobado que o normal com a confissão implícita do ‘comentarista’ que finge não saber a diferença entre tribunal esportivo, Fifa e a mais alta corte brasileira.

Como uma desgraça nunca vem só, em seguida entrou o Arnaldo Jabor, para rechaçar a alcunha de elite branca dada pelos movimentos de esquerda à classe economicamente dominante.

O saco encheu, resolvi pegar um CD e fui curtindo Rastapé e Falamansa até chegar ao colégio. 

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6 respostas a OS TAPADOS

  1. Marta Sobrinho disse:

    Você deveria ser jornalista, não auditor, kkkkk

    • Rogério Veloso disse:

      Marta, que surpresa boa! Há cerca de uma década o Consigliero, após ler um relatório meu, disse a mesma coisa. Encarei na época como um grande elogio e hoje ainda mais, já que tenho amigos jornalistas que respeito e admiro muito. Beijão.

  2. sandra disse:

    Hahaha,
    vai explicar “prus”tapados ! Adorei!

  3. Sinhá disse:

    Vejo os jornais hoje em dia como um vegetariano forçado a comer numa churrascaria: sinto nojo, asco mesmo. Não só das notícias repetitivas , mas dos debates inúteis, da imensa futilidade de tudo.
    Continue escrevendo Negão, você leva jeito. Beijo da Sinhá.

  4. Rogério Veloso disse:

    Quando vi que o identificador de visitas indicava acessos de Fort Lauderdale, logo deduzi de quem se tratava. Bem-vinda ao meu novo cafofo, Sinhá, agora metido a besta também no aspecto gráfico e de plataforma.
    De fato você tem alguns coleguinhas que só vomitando, mas ainda há aqueles que não são venais nem parciais, e por consequência fazem com que o jornalismo permaneça digno. Por falar nisso, você anda escrevendo por aí?
    Grande beijo, abraços no Sequóia e família.

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